5 de julho de 2015

Guia Comum do Centro do Recife


 
RECIFE COMUM

Todo território é subjetivo, já que foi submetido a linhas imaginadas pelo homem. Todo território é também insuficiente, ainda que sonhe e se declare completo. Dentro de uma tradição de guias poéticos da capital pernambucana se insere o Guia Comum do Centro do Recife. Um meio-termo entre a utopia e a prática num microcosmo que tem sofrido, nas últimas décadas, com políticas públicas e arquitetônicas de destruição e de invisibilidade. Em cerca de um ano de pesquisa voltada para questão do processo de modificação da paisagem urbana do Recife, o projeto se desdobra em um trabalho colaborativo reunindo ilustradores, cinéfilos, moradores, comerciantes, urbanistas, músicos e flâneurs contemporâneos para o levantamento de cerca de quarenta lugares e situações de resistência no centro da cidade. No Guia, o centro como um invisível diário, torna-se um cartão postal a ser descoberto. Mapeando algumas ruínas no centro temos a idílica pretensão de propor um re-encanto entre este espaço e as pessoas que nele trafegam, usam e coabitam.
 
Lançamento e distribuição gratuita em breve
 
 

Arqueologia do presente & Revista Outros Críticos #7

"“Revirar escombros” é uma boa metáfora para inaugurarmos o ano II da revista Outros Críticos, tendo como tema "Ruínas e Cultura". O que realizamos como “crítica” é atravessado por contradições, divergências, rupturas, discursos, defesas, linguagens e modos distintos de usar a palavra. Portanto, estamos sobre e sob os escombros, ora escavando ora escavado. A própria existência de uma revista impressa sobre crítica cultural exige essa dupla ação. Somos nós mesmos ruínas e cultura. Estamos em Pernambuco e é muito importante enxergar os sons ao redor. Escutar já não nos parece mais o bastante. Nesta edição, um “Território movediço das linguagens” é invocado por Jomard Muniz de Britto em seu ensaio sobre as ruínas do pensamento. Espaços culturais, gêneros musicais, sons urbanos e afetivos, e o jornalismo — esse mesmo revirado sobre seus escombros — foram os textos produzidos pela equipe principal da revista em torno do tema. O maestro Spok nos recebe para uma entrevista e é provocado a pensar sobre o frevo e o seu lugar de ruína e tradição. Com ele, empreendemos importante diálogo. Em crítica de boteco, no imenso vazio do Pátio de São Pedro, as várias rotas traçadas pela artista visual convidada Bruna Rafaella Ferrer e pelo jornalista Renato Lins nos puseram também a refletir sobre os escombros revirados por nós mesmos. “a pele dos prédios descama cotidianamente/ e o sol retorcido das pixações faz carinho no lodo.”, nos ilumina o poeta josé juva a perscrutar para além do que é visível.
Boa leitura."




"Artista Convidada
Bruna Rafaella Ferrer é artista visual e pesquisadora. Doutoranda em Design (UFPE), mestre em Artes Visuais (FASM-SP) e licenciada em Artes Plásticas (UFPE). Desde 2006, participa de exposições de artes visuais como artista, como idealizadora e curadora de projetos e coordenadora educativa. Na pesquisa artística dá ênfase a duas frentes de trabalho, uma ligada à linguagem do desenho, no qual investiga a dimensão sensorial formal do desenho dentro da noção de campo ampliado; e outra ligada à proposição de operações artísticas enquanto apropriação das ruínas da vida cotidiana urbana, por meio de exposições, performances, produção acadêmica e outros projetos. Fez parte de alguns coletivos de artistas de Pernambuco, como o branco do olho. Tem experiência na área de cinema e vídeo; com restauração de bens culturais móveis e imóveis; com arte- educação em espaços culturais e como assistente e produtora em galeria comercial de artes. As obras e registros da criação da artista estão presentes, além da capa desta edição, nas seções ensaio, artigo e opinião. Os leitores também podem conhecer um pouco mais sobre Ferrer na seção crítica de boteco, na qual ela debate sobre o tema da ruína em sua produção artística, entre outras abordagens."


29 de dezembro de 2014

Segunda impressão | Projeto Basculante Museu do Homem do Nordeste

Instalação do desenho "Segunda impressão" na entrada do Museu do Homem do Nordeste

O que resta da experiência que acumulamos ao longo do tempo (com lugares e objetos que conhecemos) são marcas, sinais, vestígios, e o desaparecimento dessas instâncias residuais criam lacunas em nosso repertório, imagens que oscilam entre uma vaga lembrança e o absoluto esquecimento

O projeto de intervenção gráfica SEGUNDA IMPRESSÃO – Projeto Basculante acontece como desdobramento de uma pesquisa mais ampla iniciada em 2006, chamada “Arqueologia do presente”, que tem como objetivo trabalhar diversas marcas residuais dos centros urbanos contemporâneos enquanto vivência e fonte de memória.
O interesse gráfico da pesquisa acontece desde a primeira série de trabalhos produzidos, quando objetos de metal ornamentais encontrados em portões, janelas e grades em geral são apropriados na gravura enquanto linguagem particularizada. Com técnicas de carimbo e de frotagge[1] extrai-se cópias desses objetos ornamentais de metal sobre tecido. Estas cópias são feitas ora transferindo a ferrugem destes objetos para tecido, ora revelando uma imagem a partir do depósito de tinta sobre os objetos em contato direto com tecido; mais recentemente, a produção dessas gravuras acontece pela técnica de frottage, com uso de bastão de grafite marcando os altos/baixos relevos das superfícies/matrizes texturizadas.

Dessa forma,  opera-se um tipo de rematerialização (estética) no emprego de materiais encontrados em centros urbanos, conhecendo a cidade de forma diversa de seu caráter meramente usual. Estes objetos são encontrados e selecionados de forma a evidenciar tanto as heranças modernas da arquitetura da cidade, que chama atenção pelo contraste de sua forma heterogênea, onde elementos modernos e contemporâneos convivem com elementos tradicionais de construção (por exemplo, inspirados no neoclassicismo francês).



[1] Técnica gráfica utilizada na arte e na arqueologia como método de captura de imagem. Frottage (do francês "frotter", em português "friccionar") foi um método bastante usado pelos artistas surrealistas, pelo seu aspecto "automático" de produção gráfica. No frottage o artista utiliza um lápis ou outra ferramenta de desenho e faz uma "fricção" sobre um suporte (papel, tecido) sobreposto em uma superfície texturizada.

Receitas no Museu do Homem do Nordeste


 Vendedora de pimentas no Mercado da Boa Vista. Recife, Setembro de 2014

Na 8ª Primavera dos Museus, o Museu do Homem do Nordeste convida para a abertura da exposição-processo "Receitas", do Coletivo Comestível (SP-REC). A exposição fica aberta para visitação no dia 26 de Setembro de 2014, sexta-feira, a partir das 09h na sala Waldemar Valente. Na ocasião, acontecerá a quarta edição da feira agroecológica no jardim do Museu, com venda de produtos orgânicos (in natura e processados).
O Coletivo Comestível apresenta a mostra “Receitas” enquanto extensão da ação de coleta de receitas relatadas por transeuntes nas ruas,  realizadas em locais de grande circulação no Recife, mercados e feiras públicas, entre os dias 19 e 26 de setembro de 2014. Na pesquisa o grupo propõe uma experiência dialógica que intenciona promover uma breve pausa no cotidiano para a troca de conhecimentos e experiências. O grupo entende que a captura de receitas no espaço público urbano, age como um dispositivo de alteridade capaz de gerar e transmitir algo além da união de determinados ingredientes. Uma forma de investigar, nesse local de enfretamento, de contato entre diferentes identidades e da ação corriqueira, como estabelecemos relações pessoais e como a experiência artística emerge potencialmente desses encontros.

A exposição “Receitas” consiste na apresentação de registros das ações do grupo realizadas em São Paulo e Barcelona mais as ações inéditas realizadas em Recife, além de um site-specific com o material gráfico coletado, peças e documentos do acervo do Muhne que se relacionam com os conceitos trabalhos pelo grupo.
O Coletivo Comestível é um grupo de artes visuais que reúne artistas amigos de diferentes origens que hoje vivem e trabalham em São Paulo e Recife: Bruna Rafaella Ferrer (Recife), Lyara Oliveira, Marcelo Salum e Patrícia Francisco (São Paulo), com colaboração de Rafaela Jemmene (São Paulo). O desejo desse encontro produtivo é criar um ambiente de aprofundamento das relações habitualmente construídas no meio artístico e elaborar propostas de experiências artísticas colaborativas, gerando assim momentos de debate e articulação para circulação dessa experiência. Essa pesquisa coletiva está voltada para uma investigação das relações de afeto, memória e vivência compartilhada entre os indivíduos e os espaços públicos.


Processo de montagem da exposição Receitas


receitas

“Você topa passar uma receita para gente? Receita do que? De qualquer coisa...” Um convite simples, que quando aceito, estabelece uma relação entre pessoas, cria um lugar de diálogo em meio ao cotidiano. Um instante de pausa e troca.

Receitas é um trabalho de ação no espaço urbano. Propõe uma pequena suspensão nos fluxos cotidianos da cidade para a realização de um compartilhamento de conhecimentos, experiências e afetos entre os integrantes do Coletivo Comestível e os passantes que aceitem participar da ação. O grupo recolhe as receitas relatadas através do registro em vídeo e de anotações gráficas.

Nessa mostra o Coletivo compartilha sua prática e expõe os frutos desse trabalho. Além disso, realiza uma outra ação: a investigação de peças que compõe o acervo do Museu do Homem do Nordeste. Vale lembrar que a base conceitual adotada pelo sociólogo Gilberto Freyre para formação do acervo do museu reflete um tipo de abordagem mais interessada na história da vida cotidiana que numa historiografia que privilegie os grandes feitos. A proposta é deslocar objetos pertencentes ao acervo do museu estabelecendo uma situação onde acontece a associação da memória que impregna estes artefatos e da memória que emerge dos relatos presentes nas Receitas.

Trazer a ação receitas para o espaço expositivo é mais uma vez partilhar. Dentro do museu, onde o ritmo já é outro, onde a abertura a reflexão está posta, é possível propor uma outra situação dialógico com o público.





Entidades Gráficas - IV ExcentriCidades



Coletivo Sexto Andar promove IV ExcentriCidades
Cantor e compositor Juliano Holanda apresentará suas canções com participações de Gilú Amaral e do poeta Miró; noite conta ainda com performances de desenho da artista Bruna Rafaella e som do DJ Aslan Cabral
Na próxima quarta-feira (11), a partir das 19h, o centro do Recife será movimentado por mais uma noite cultural. Promovida pelo Coletivo Sexto Andar, localizado no Edf. Pernambuco, a quarta edição do projeto ExcentriCidades recebe o cantor e compositor Juliano Holanda, com participações de Gilú Amaral (Orquestra Contemporânea de Olinda / Wassab) e do poeta Miró, performances de desenho da artista Bruna Rafaella e som do DJ Aslan Cabral. A entrada é gratuita.
[...]
Já a artista visual e professora Bruna Rafaella, que começou sua carreira desde 2006 e vem se expressando através das linguagens do desenho, gravura e da fotografia, realizará durante a noite uma série de desenhos intitulada 'Entidades Gráficas', experiência que trabalha o espaço arquitetônico como suporte. Para continuar a noite, o artista e DJ Aslan Cabral assume o som durante todo o pré e pós-show.



EXCENTRICIDADES é um projeto do Coletivo Sexto Andar que busca retribuir a energia criativa do centro da cidade com atividades lúdicas e artísticas no próprio espaço, localizado no 6º andar do Edf. Pernambuco, centro do Recife.

COLETIVO SEXTO ANDAR é uma plataforma, espaço cultural e ateliê de artes integradas que nasceu da necessidade de artistas, coletivos de audiovisual, designers e produtores independentes de congregar, discutir e difundir sobre os diversos campos artísticos. Além de um ambiente de integração criativa, é um coletivo que promove exposições, debates, oficinas, cineclubes e pocket shows, gerando a troca artístico-cultural em pleno rico cenário caótico em que está inserido: o bairro de Santo Antônio, centro do Recife. 
SEXTO ANDAR é A Firma, Anilina Produções e Soluções Criativas, Corujas, Jacaré, Ostra Monstra, Renata Pires Fotografia, Carlota Produções, Bruna Rafaella e Casa Navio. 

Serviço 
IV ExcentriCidades, com Juliano Holanda (partic. Poeta Miró e Gilú Amaral) + Desenhos de Bruna Rafaella + DJ Aslan Cabral
Quarta-feira, 11 de junho, às 19h
Sexto Andar do Edf. Pernambuco (Avenida Dantas Barreto, 324, Sexto Andar, Santo Antônio, Recife)
Entrada franca