30 de novembro de 2013

Segunda Impressão | Projeto Caminhos de Mariani

Segunda Impressão é uma ação no ambiente arquitetônico da cidade para produção de gravuras, marcas residuais enquanto vivência e fonte de memória. O trabalho é impulsionado pelo desejo de estabelecer uma relação estética direta com o espaço urbano, no qual tanto são evidenciadas texturas e desenhos particulares da cidade quanto um processo artístico que busca a ampliação da experiência perceptiva com a cultura material.
A ação consiste em (re)produzir, por meio da técnica de frottage, os elementos gráficos de platibandas, suas marcas em baixo/alto relevo, encontrados na fachada de edificações das cidades de Tacaimbó, São Bento do Una e Belo Jardim.



Projeto Pedagógico
A proposta contou com uma ação educativa realizada em 02 etapas: a primeira durante o processo de produção de gravuras no espaço urbano das cidades escolhidas para pesquisa, e a segunda como bate-papo entre artistas participantes do projeto “Caminhos de Mariani” e público, durante a abertura da exposição.
Na primeira etapa, a atividade pedagógica consiste em integrar grupos de pessoas ao processo de produção da obra por meio de conversa e experiência prática (estudantes de escolas circunvizinhas aos locais de produção dos trabalhos e demais cidadãos, transeuntes dos locais onde serão confeccionadas as gravuras, crianças e/ou adultos). Com estes grupos, foi feita uma esplanação introdutória, falando sobre as técnicas envolvidas na proposta – frottage, monotipia, fotografia, e uma apresentação como diversas práticas artísticas contemporâneas lidam com o espaço urbano, a arquitetura e a produção industrial geral das cidades como espaço e recurso de fruição estética e produção artística. O objetivo dessa ação é ampliar as referências visuais e estimular a percepção do público, entendendo que a arte e a experiência criativa manifestam-se nos mais diversificados espaços da vida social.
A segunda etapa pedagógica da proposta consistiu na apresentação de resultados e debate do processo de produção dos trabalhos realizados para o projeto “Caminhos de Mariani", durante a abertura da exposição. A ideia era estabelecer um diálogo entre a experiência própria na produção de gravuras e interação com os grupos no processo de produção dos trabalhos artísticos, público da exposição dos resultados, e os demais artistas envolvidos no projeto. O intuito foi discutir as vivências artísticas com foco na imersão na série de trabalhos Pinturas e Platibandas, da artista Anna Mariani, ponto de partida para as pesquisas e novas produções dos artistas envolvidos no projeto promovido pelo Sesc Ler Belo Jardim.


17 de setembro de 2013

Entidades Gráficas - Galeria Janete Costa do parque D. Lindu

Desenho/instalação realizado no projeto "Na Pauta" na Galeria Janete Costa do paque D. Lindu - Recife - PE. 




Julho é mês de performance artística na Galeria Janete Costa* 

Cinco artistas pernambucanos foram convidados para apresentar trabalhos que desenvolvam a poética e a performance na segunda edição do programa “Na Pauta”, da Galeria Janete Costa, no Parque Dona Lindu. Durante o mês de julho, a cada final de semana, o público poderá ver e participar da execução das intervenções de Bruna Rafaella, Daniel Santiago, Izidorio Martins, Beth da Matta e Danilo Galvão. O projeto de ocupação da Galeria Costa pretende abrir  espaço para estimular a produção e exibição de trabalhos artísticos que envolvam a ação. De acordo com Joana Darc, diretora da Galeria vinculada à Secretaria de Cultura do Recife, a ideia é impulsionar o público a pensar temas como o corpo no espaço, apropriação e ação. “As reflexões passarão também por outros assuntos, que deverão surgir a partir das proposições e poéticas de cada artista e as formas de ressignificação do público visitante”. O primeiro fim de semana da programação, neste sábado (13) e domingo (14), terá a artista visual Bruna Rafaella, com suas Entidades Gráficas. De caneta em punho, durante os os dois dias, das 15h às 20h, Bruna se dedicará a preencher algumas paredes da galeria com desenhos figurativos e abstratos. Quem for à Galeria terá a oportunidade de observar a fluidez do processo de confecção da transposição da ideia do desenho para a arquitetura do espaço. Diante da imaculada parede em branco, como se conversasse com a estrutura, a artista passa a psicografar esse diálogo numa espécie de dança, embate entre o concreto e o corpo frágil em contínuo exercício.Bruna conta que já vem experimentando este projeto desde 2006, com o Coletivo Branco do Olho. De lá pra cá, o trabalho foi desenvolvido no Festival de Inverno de Garanhuns e no projeto Fachada, do Museu Murillo La Greca, e ganhou novos contornos no olhar e nas técnicas utilizadas. “O corpo do artista como suporte proporciona um trabalho direto de desenvolvimento da linguagem com a arquitetura. O desenho tem disso, por isso se insere no campo da performance. Sou eu, dialogando com a vontade de um desenho, de uma estrutura… O desenho vai fazer essa linha, com um jeito bem orgânico de preencher o espaço como um fluxo de energia”. Após a realização da ação, os resíduos ou resultados deles ficarão na Galeria e o público poderá conferir nos finais de semana seguintes. No dia 20 de julho, Daniel Santiago terá 100 convidados, entre artistas e público visitante, para arremessar cem ovos-tinta (tinta embalada em casca de ovo) sobre um painel com a inscrição Verzuimd Braziel (Brasil desamparado). Os participantes formarão quatro paredões de vinte e cinco atiradores que obedecerão ao comando do artista plástico.No dia 21 de julho será a vez de O Peso da Busca, de Izidorio Cavalcanti. Com uma pilha de 300 paralelepípedos, o artista transporta as pedras, uma a uma, para outros espaços dentro da Galeria, podendo contar, ou não, com a contribuição do público, propondo uma reflexão acerca do contínuo embate entre o desejo de se mover e a capacidade de resistência do corpo. A tarefa não se esgotará no dia da ação do artista, e deverá permanecer em contínuo movimento e transformação, a partir da ação do público que visitar a Galeria nos outros finais de semana de julho.As sensações e percepções provocadas pela gastronomia serão o fio condutor de Do Deleite: Trigo, Parma e Oliveiras, que será realizado no dia 27 de julho, por Beth da Matta. De acordo com a artista, que também é diretora do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), a ideia é mostrar o processo de transformação da matéria prima em alimento, o deleite e o prazer de consumí-lo e o descarte. Para encerrar o “Na Pauta”, o fotógrafo Danilo Galvão apresenta a performance Banho, no dia 28, onde gotas de tinta projetadas sobre o homem que medita representam a tortura que o mundo das ideias impõe ao Eu e a sua suposta liberdade.


* Texto extraído do portal da prefeitura do Recife - acessando em 17 de setembro de 2013: http://www2.recife.pe.gov.br/julho-e-mes-de-performance-artistica-na-galeria-janete-costa/#sthash.E50vvNVx.dpufSee more at: http://www2.recife.pe.gov.br/julho-e-mes-de-performance-artistica-na-galeria-janete-costa/#sthash.E50vvNVx.dpuf







24 de maio de 2013

Corpo.Barro


Sete luas de barro

Quando Pierre Verger fotografou o Mestre Vitalino em 1947, ele já vinha criando uma sequência  de imagens fotográficas de artesãos que trabalhavam com barro  mundo  afora. Com o passar do tempo vejo a cada leitura, a cada pesquisa, a cada novo contato, não só a presença do barro como matéria no repertório de muitos artistas e pesquisadores, mas também a presença do assunto barro.  O barro como assunto é um dos meus preferidos e, para um artista, o assunto é o pressuposto da obra. É o assunto que conduz, determina e até escolhe o suporte e muitas vezes gera outros assuntos... como o assunto corpo  invariavelmente leva à política, etc.  Esses assuntos flexionados acionam questões como, por exemplo,  CORPO+BARRO=OCO ou BARRO+OCO=BARROCO etc.

Aqui nesta exposição usei as flexões semânticas e imagéticas tendo a arte atual como dobradiça: flexiono a obra do Armando Queiroz, artista de Belém do Pará com a de um artista de Belo jardim, em Pernambuco, para produzir sentido e re-significar a idéia barro. Esse exercício de flexão ativa questões, como falei acima, e uma delas, que é tratada aqui na exposição, é a relação do corpo com o barro na arte contemporânea.

Mestre Galdino, quando produzia suas peças escrevia sobre elas, já o Mestre Vitalino usava a escrita em forma de imagem, contava a sua historia, não a pessoal, mas a sua realidade, a sua aldeia, o seu povo. Através do artesanato que produzia com barro, deu vida às cenas de retirantes, ao cangaço, ao dia-a-dia dos nordestinos. Para esta exposição CORPO BARRO  pensei em que nível de relação esses  quatro artistas flexionam suas ações para ativar questões assim como os mestres o fizeram.

Bruna Rafaella Ferrer usa o próprio corpo como suporte para o seu trabalho. Ao encostar sua pele sobre uma superfície e extrair dela marcas e relevos que ficam “impressos” por alguns instantes, ela se aproxima muito das incisões sobre o barro feitas pelos artesãos, como um furo para fazer o olho, um rasgo pra fazer a boca do boneco, etc. Armando Queiroz convida um ator que trabalha nas ruas de Belém como estátua viva para uma refeição filmada.  Ao comer, o ator denuncia a si mesmo como gente. Uma das peças do Mestre Vitalino que me inspirou para esta exposição foi um boneco numa mesa de cirurgia com as vísceras expostas. Isso de expor assim o corpo do boneco também o coloca no mesmo nível de “humanidade” do ator, que come com o corpo pintado de prata. 

Pierre Tenório com sua performance cuja ação não se sabia qual seria,  onde havia indícios de cantar uma música chamada “lama”, o happening dos acontecimentos insustentáveis, da improvisação, do lisérgico, também eram muito presentes no procedimento poético do Mestre Galdino. Suas peças, ao contrário do Vitalino, são “irreprodutíveis”, pois sua forma de contar a historia advém de outra grade processual, como a do “acidente”, por exemplo.

Eu lembro que, quando criança, as peças do Mestre Vitalino vinham com um grossa camada de tinta brilhosa e até hoje sinto o cheiro forte da tinta, as pintinhas brancas do boizinho malhado, cuja textura de tão forte que era, parecia caroços sobre a pele, como sinais. Lorane faz caldo de cana fervido virar tinta. Sobre as peças de barro das quais que ela se apropria para montar espécies de esculturas instáveis , a tinta doce com o fogo de um maçarico tatua o gesto dessa experiência com desenhos negros sobre a pele marrom do barro.

Vendo assim o conjunto das obras expostas, vem perguntas e também respostas: “ Isto é arte? Arte é isto! “ – Waltercio Caldas. No espaço entre a pergunta e a resposta fica um intervalo e é neste “entre-tempo” que eu proponho sentir. Sentir é a melhor maneira de apreciar uma obra de arte. E é este “sentir” que une os quatro artistas da mostra, mais o citado Pierre Verger e nossos dois Mestres, Vitalino e Galdino, como “ sete luas ” a serem contempladas.

Carlos Mélo - Curador da mostra Corpo.Barro


Mais: O Auto das Sete Luas de Barro, 1979. Peça de maior sucesso do Grupo Feira, consagra seu autor o encenador, Vital Santos, e consolida o grupo caruaruense na cena brasileira com o premio Molière de direção, em 1980 no Rio de Janeiro. O Auto das Sete Luas de Barro é, ao mesmo tempo, um instrumento de crítica social e de expressão poética, e dessa forma transcende a figura de Mestre Vitalino, utilizando-se de sua vida e obra não só para lhe dedicar uma merecida homenagem, mas também para tomar sua trajetória de miséria como metáfora e denúncia da exploração do artista popular.






18 de novembro de 2012

Projeto Fachada Museu Murillo La Greca


Entidades Gráficas no Museu Murillo La Greca na V edição do Projeto Fachada

A convite do Museu Murillo La Greca, o desenho Entidades Gráficas foi produzido na V edição do projeto Fachada. Esse trabalho de site specific, apresentado pela primeira vez em 2010 na galeria Dumaresq (Recife-PE), faz parte das investigações que giram em torno da edição de desenhos automáticos executados diariamente. Neste desenho, traços figurativos e abstratos, produzidos como pulsos gráficos, se espalham linearmente no espaço arquitetônico da fachada do museu e pernamanecem o mês de Novembro no La Greca.





20 de julho de 2012

TEMPO FORTE


O Ministério da Cultura e a Associação Casa das Caldeiras convidam para a exposição TEMPO FORTE


Exposição EXPERIMENTAL dos processos artísticos e pesquisas dos artistas em residência para o programa Obras em Construção 2012 da Associação Cultural Casa das Caldeiras.

O TEMPO FORTE é um momento curto e intenso entre os residentes da Casa das Caldeiras, que possibilita e estimula a interação entre os processos, aberto a todo público. Posteriormente a este processo, os artistas apresentarão ao público o resultado final de suas obras.

Arqueologia do presente é um dos 15 projetos que integram o programa Obras em Construção. O projeto é uma pesquisa em artes visuais cujos elementos materiais e simbólicos de investigação são ruínas contemporâneas resultantes do processo de demolição empreendido pela construção civil na cidade de São Paulo, registradas e documentadas artisticamente no período de realização da residência artística da Associação Casa das Cadeiras. A proposta é observar e problematizar os impactos sociais e estéticos no processo da atual reconfiguração da paisagem urbana de grandes cidades, como São Paulo. 


ASSOCIAÇÃO CULTURAL CASA DAS CALDEIRAS [ACCC]
Av. Francisco Matarazzo, 2000. Água Branca. São Paulo-SP
(11) 3873.6696 | cultural@casadascaldeiras.com.br 
http://casadascaldeiras.com.br/blog

22 Julho das 16 hs às 20 hs
23, 24 e 25 Julho das 14 hs às 21 hs

Entrada gratuita e classificação livre

Exposição dos artistas residentes programa OBRAS EM CONSTRUÇÃO 2012:

LUCAS LAENDER - Grileiros
BRUNA RAFAELLA FERRER - Arqueologia do presente
ANDRÉ LEAL - Visões da Cidade
GUSTAO FERRO - Vallas
FERNANDA GRIGOLIN - Rotunda
MARI ALVES PINTO - Caldeiras Locomotivas
RICARDO NAPOLEÃO e DANILO DAL FARRA - Uma pequena história do mundo
ELENITA QUEIRÓZ - Silencios Urbanos
NUCLEO MIRADA e CIA DAS ATRIZES - Epifanias Urbanas
LU BRITES e BANDO CAVALARIA - A Origem Animal de Deus
RESIDENCIAS_EN_RED - Espaçoes de arte e cultura nos territórios Ibero Americanos
GHAWAZEE COLETIVO de ação - Cine Drive-In, Cine Harem & Chá com Pólvora
CAROLINA VELASQUEZ & CRISTIANE MUNIZ - Fundação, Estandarte & Panteão do Imaginário
KIKA NICOLELA, BRUNO PENTEADO e artistas convidados - TRAFFIC JAM #1 São Paulo & TRAFFIC JAM #2 Taipé
LIGA DA DANÇADURA - Instruções para subir uma escada